A cultura japonesa dá o exemplo

Caso perguntarem o que eu mais gostei no Japão, minha resposta não será uma cidade, um local ou uma atração específica. Na minha opinião, é o povo japonês que faz do Japão um dos países mais interessantes de ser visitado.

A cultura japonesa e a educação de seu povo despertam curiosidade e admiração para muita gente; filas são rigorosamente respeitadas e, antes de entrar no metro, é preciso esperar as pessoas saírem; na escada rolante, quem não tem pressa fica sempre do lado esquerdo, deixando a passagem livre do lado direito; eles tiram os sapatos antes de entrar na casa de alguém; ao entrar em uma loja ou mercado, é comum escutar saudações de todos os funcionários; entre outras coisas.

São simples ações, mas que fazem a diferença porque nos fazem repensar nossas atitudes em alguns momentos. Todos nós sabemos dessas regrinhas simples de comportamento, mas muitas vezes somos induzidos pelo comportamento da massa e esquecemos do básico.

Se você perder ou esquecer algo no trem ou metrô no Japão, facilmente poderá recuperar. Na cultura japonesa, pegar o que não lhe pertence pode atrair coisas negativas. Sendo assim, ninguém pega objetos esquecidos e leva para casa, mesmo que seja dinheiro. Nos trens, por exemplo, a regra é assim: se encontrar algum dinheiro perdido, deve levar ao setor de achados e perdidos e fazer um cadastro dando informações de onde, como e hora em que foi encontrado. Se ninguém aparecer no período de 3 meses, com informações semelhantes sobre a perda do dinheiro, eles entram em contato com quem achou e esta pessoa tem o direito de ficar com o dinheiro.

A visão de mundo que nós, ocidentais, temos é diferente dos orientais. Nós enxergamos cada indivíduo como um ser independente e responsável pelas suas ações. Já os orientais veem o coletivo, e enxergam sua responsabilidade perante a comunidade como um todo. O senso de coletividade desperta maior preocupação e interesse em preservar e manter o bem público, assim como o bem individual. Isto faz com que os jardins, ruas, calçadas, parques, sejam muito bem cuidados e preservados, assim como sua própria casa.

Era difícil encontrar cestos de lixos nas ruas. As pessoas estão acostumadas a carregarem seus lixos e o jogarem em casa ou em locais apropriados para isso.

Uma coisa que não se pode negar é que o povo japonês é também bastante obstinado e trabalhador. Ao longo dos anos, o Japão conseguiu superar suas dificuldades, investiu em tecnologia e indústria automotiva, e hoje está entre as maiores potências do mundo, mesmo com algumas instabilidades econômicas pelo percurso.

Outra característica interessante na sociedade japonesa é o seu espírito de trabalho em grupo. Um método que pode ser muito eficiente para enfrentar obstáculos. Um bom exemplo disto é o conceituado método Ringi.  Este método, utilizado por empresas no Japão, adota um processo de tomada de decisão baseado no consenso do grupo e no comprometimento individual de cada participante. Atualmente, várias empresas pelo mundo passaram a utilizá-lo para treinamento de suas equipes.

Falando um pouco das crianças, os japoneses são treinados desde pequenos para serem independentes e responsáveis com seus objetos pessoais. Assim que saem do jardim de infância, é comum irem para escola sozinhas, desacompanhados dos pais. Geralmente eles vão em pequenos grupos, supervisionados por um adulto que os orientam nos cruzamentos mais perigosos.

Em todos os templos e locais históricos que visitamos, vimos grupos escolares com dezenas de crianças e adolescentes fazendo trabalhos e pesquisas. Eu nunca fui tão entrevistada por tanta gente. Para treinar o inglês, principalmente as crianças, tinham a tarefa de fazer uma pequena entrevista com estrangeiros. Eles tinham metas a serem atingidas, sendo que, naquele caso, deveriam entrevistar, no mínimo, 20 pessoas, enquanto os professores ficavam de longe somente observando. Muito educados e atenciosos, nos deram até pequenos brindes, feitos por eles, por termos participado da entrevista.

Conversando com um grupo de jovens, eles nos contaram que é muito comum fazerem estes tipos de passeios. Eles vêm de longe, pegam o trem e passam 3/4 dias fora de casa, mas sempre em grupos organizados pelas escolas.

São bons exemplos como estes que fazem da cultura japonesa algo tão respeitado e admirado por todo o mundo. Para mim, conhecer um país não é somente visitar seus pontos turísticos, é entender o modo de vida das pessoas, conhecer seus hábitos e vivenciar um pouco de sua cultura. E, por estes aspectos, o Japão me surpreendeu muito mais do que seus belos templos e lindas paisagens.

 

Referência:
http://www.japaoemfoco.com/10-segredos-de-sucesso-dos-japoneses/

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Lavage de la Madeleine

Trio elétrico, batucada, baianas dançando, poderia ser em Salvador, mas estávamos em Paris! Chegamos na cidade durante a semana que ocorre a “Lavage de la Madeleine”. Há 13 anos realizada em Paris, é uma reconstrução da tradicional lavagem das escadas na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, que acontece em Salvador na Bahia.

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Mar de lixo ou Carnaval de Notting Hill

Chegamos em Londres no meio de um feriado em que estava ocorrendo o Carnaval de Notting Hill, a maior festa de rua da Europa. Muita gente andando pelas ruas de roupas coloridas e principalmente carregando cerveja e cigarros diversos. O evento reúne mais de 1 milhão de pessoas durante todo o final de semana. Resolvemos então ir conferir a tal festa.

A festa de Carnaval de origens caribenhas acontece anualmente por todo o bairro de Notting Hill. Suas ruas ficam repletas de gente, sendo difícil até de se locomover. Em cada rua você encontra algum tipo de música, uma banda, um DJ ou até um trio elétrico passando. Mesmo fantasias e carros alegóricos (com muito menos glamour que os do Brasil) é possível encontrar. Algumas pessoas vão fantasiadas, outras somente com adereços coloridos ou com uma maquiagem exótica. E o que o pessoal faz numa festa de rua? Bebem e fumam muito (o que é muito comum na Europa). Além disso, o cheiro de haxixe predominava nas ruas por onde passávamos.

As pessoas costumam levar suas sacolas de cerveja, nem se importando por não estarem geladas. Há também bares improvisados por todo o local. Alguns transformam suas casas em pequenos botecos, servindo coquetéis diferentes ou até mesmo limonada (com vodka). E se a fome apertar, tem várias barraquinhas servindo de tudo um pouco. E não pense que são só sanduiches e salgados rápidos. Eles servem refeições completas, arroz com frango e milho (receita Jamaicana), macarrão etc.

O resultado disso tudo foi algo que nunca vi igual. Me senti andando numa piscina de lixo. A quantidade de lixo nas ruas era impressionante. E as pessoas pareciam nem se importar, saiam andando e tomando sua cerveja ou comendo seu frango, e jogando em qualquer lugar os restos de suas comidas, seus pratos e seus copos, latas e garrafas.

As pilhas de lixo se acumulavam em postes, árvores, calçadas; até o telefone público virou depósito de lixo. Fiquei impressionada como ninguém ligava para aquela sujeira absurda; andavam chutando ou passando por cima. Talvez porque a maioria das pessoas já estivessem bêbadas. Mas falta respeito com o próximo; é muito egoísmo. As pessoas querem se ver livres dos seus problemas e não se importam com as consequências de suas ações. Num evento com milhares de pessoas, onde a maioria são jovens, parece que a educação e a etiqueta foram deixadas de lado e substituídas por uma atitude de ogros na floresta de pedra. E o governo não ajuda muito, pois sabendo de uma festa como esta deveria disponibilizar um maior número de lixeiras públicos.

Agora imaginem o que acontece depois de tanta bebida e a necessidade de ir no banheiro com tanta gente junta. As filas dos banheiros públicos eram gigantes. Ainda que o pessoal esperava na fila, sem grandes confusões. Haviam moradores das casas da região que, para ganhar um dinheirinho, alugavam seus banheiros, cobrando uma taxa por pessoa. Outros, mais apressadinhos, simplesmente faziam suas necessidades em cantinhos das ruas.

Muitos bares do bairro fechavam suas portas e colocavam tábuas nas suas fachadas para proteger seus estabelecimentos de toda essa bagunça.

O policiamento era intenso; policiais em todas as ruas. Mas mesmo estando em Londres, não significa que estará sempre seguro. Andando no meio da multidão, vimos alguns policiais correndo até conseguirem prender uma ladra. Uma mulher, provavelmente do leste europeu (parecida com uma cigana) que aparentava uns 40 anos, foi pega por eles, e quando eles abriram a bolsa, começaram a tirar celulares e carteiras que ela já havia roubado.

O Carnaval de Notting Hill existe desde 1966, sendo um dos maiores festivais de rua do mundo. Com certeza ele já foi um grande festival. Mas porque transformar uma festa popular tão tradicional em algo tão desorganizado e insustentável? Talvez seja um grito inconsciente de liberdade dos jovens num momento de festa sem restrições. Mas com tudo que vem acontecendo com nosso Planeta, são estes mesmos jovens que precisam mudar e agir de forma diferente. Não são exemplos como estes que queremos ver no futuro.

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Mar de lixo ou Carnaval de Notting Hill

Chegamos em Londres no meio de um feriado em que estava ocorrendo o Carnaval de Notting Hill, a maior festa de rua da Europa. Muita gente andando pelas ruas de roupas coloridas e principalmente carregando cerveja e cigarros diversos. O evento reúne mais de 1 milhão de pessoas durante todo o final de semana. Resolvemos então ir conferir a tal festa.

A festa de Carnaval de origens caribenhas acontece anualmente por todo o bairro de Notting Hill. Suas ruas ficam repletas de gente, sendo difícil até de se locomover. Em cada rua você encontra algum tipo de música, uma banda, um DJ ou até um trio elétrico passando. Mesmo fantasias e carros alegóricos (com muito menos glamour que os do Brasil) é possível encontrar. Algumas pessoas vão fantasiadas, outras somente com adereços coloridos ou com uma maquiagem exótica. E o que o pessoal faz numa festa de rua? Bebem e fumam muito (o que é muito comum na Europa). Além disso, o cheiro de haxixe predominava nas ruas por onde passávamos.

As pessoas costumam levar suas sacolas de cerveja, nem se importando por não estarem geladas. Há também bares improvisados por todo o local. Alguns transformam suas casas em pequenos botecos, servindo coquetéis diferentes ou até mesmo limonada (com vodka). E se a fome apertar, tem várias barraquinhas servindo de tudo um pouco. E não pense que são só sanduiches e salgados rápidos. Eles servem refeições completas, arroz com frango e milho (receita Jamaicana), macarrão etc.

O resultado disso tudo foi algo que nunca vi igual. Me senti andando numa piscina de lixo. A quantidade de lixo nas ruas era impressionante. E as pessoas pareciam nem se importar, saiam andando e tomando sua cerveja ou comendo seu frango, e jogando em qualquer lugar os restos de suas comidas, seus pratos e seus copos, latas e garrafas.

As pilhas de lixo se acumulavam em postes, árvores, calçadas; até o telefone público virou depósito de lixo. Fiquei impressionada como ninguém ligava para aquela sujeira absurda; andavam chutando ou passando por cima. Talvez porque a maioria das pessoas já estivessem bêbadas. Mas falta respeito com o próximo; é muito egoísmo. As pessoas querem se ver livres dos seus problemas e não se importam com as consequências de suas ações. Num evento com milhares de pessoas, onde a maioria são jovens, parece que a educação e a etiqueta foram deixadas de lado e substituídas por uma atitude de ogros na floresta de pedra. E o governo não ajuda muito, pois sabendo de uma festa como esta deveria disponibilizar um maior número de lixeiras públicos.

Agora imaginem o que acontece depois de tanta bebida e a necessidade de ir no banheiro com tanta gente junta. As filas dos banheiros públicos eram gigantes. Ainda que o pessoal esperava na fila, sem grandes confusões. Haviam moradores das casas da região que, para ganhar um dinheirinho, alugavam seus banheiros, cobrando uma taxa por pessoa. Outros, mais apressadinhos, simplesmente faziam suas necessidades em cantinhos das ruas.

Muitos bares do bairro fechavam suas portas e colocavam tábuas nas suas fachadas para proteger seus estabelecimentos de toda essa bagunça.

O policiamento era intenso; policiais em todas as ruas. Mas mesmo estando em Londres, não significa que estará sempre seguro. Andando no meio da multidão, vimos alguns policiais correndo até conseguirem prender uma ladra. Uma mulher, provavelmente do leste europeu (parecida com uma cigana) que aparentava uns 40 anos, foi pega por eles, e quando eles abriram a bolsa, começaram a tirar celulares e carteiras que ela já havia roubado.

O Carnaval de Notting Hill existe desde 1966, sendo um dos maiores festivais de rua do mundo. Com certeza ele já foi um grande festival. Mas porque transformar uma festa popular tão tradicional em algo tão desorganizado e insustentável? Talvez seja um grito inconsciente de liberdade dos jovens num momento de festa sem restrições. Mas com tudo que vem acontecendo com nosso Planeta, são estes mesmos jovens que precisam mudar e agir de forma diferente. Não são exemplos como estes que queremos ver no futuro.

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Lavage de la Madeleine

Trio elétrico, batucada, baianas dançando, poderia ser em Salvador, mas estávamos em Paris! Chegamos na cidade durante a semana que ocorre a “Lavage de la Madeleine”. Há 13 anos realizada em Paris, é uma reconstrução da tradicional lavagem das escadas na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, que acontece em Salvador na Bahia.

Secret Cinema em Londres: de volta para o futuro

Já pensou em fazer um passeio que pudesse viajar no tempo? Fomos para Hill Valey em 1955, uma cidadezinha na Califórnia, onde moram os famosos Dr. Emmet Brown e seu amigo Martin McFly.

Na Suíça, “on va sortir”!

Você já ouviu dizer que o suíço é um povo mais frio e fechado? Pois é, eles mesmos reconhecem isso e ainda criam formas criativas para lidar com isso.

Participamos de um piquenique com churrasco na beira do lago, com mais de 25 pessoas onde a maioria nem se conheciam. Todas essas pessoas são cadastradas em um site que chama-se “on va sortir – OVS”. É uma rede social utilizada para criar eventos e convidar as pessoas para sair nos mais diferentes passeios. Você cria seu evento e pode chamar primeiro os seus amigos e depois abrir para o público em geral.

O legal é que muita gente usa esse site simplesmente para procurar algo para fazer quando não se tem nada planejado. É muito comum participar de eventos onde você não conhece as pessoas que organizam. E não pensem que isso é para jovens, pois a maioria que se cadastra neste site são solteiros de meia idade, divorciados ou estrangeiros.

Fomos ao tal piquenique a convite da tia do Mauricio que mora aqui e adoramos participar do passeio. Diferente do Brasil, o piquenique com churrasco aconteceu no final do dia, às 18h00 (e começa pontualmente, não pode atrasar). Todas as pessoas chegam super equipadas; teve gente que trouxe até mesa desmontável, churrasqueira portátil, alguns trazem seus pratos e talheres indidividuais.

Como era no final da tarde, o evento começou com o aperitivo. Muito vinho com petiscos diversos, batatinha, linguicinha, presunto di parma, queijos, a tradicional baguete e tortas. Depois vem as saladas e comidas frias. O pessoal prepara comidas mais elaboradas; não são sanduiches como estamos acostumados no Brasil. Cada um traz algum prato e compartilha com todos. Mas quando chega a hora de fazer o churrasco, cada um tem sua carne, literalmente, o seu bife. O costume é cada um levar o que gosta de comer e pronto, assim não há desperdício e todos ficam satisfeitos.

Foi muito divertido conhecer pessoas diferentes. Tinha gente de vários países que atualmente moram na Suíça. Eram casais, solteiros, namorados, paqueras de tudo um pouco. As pessoas que participam de eventos como este estão interessadas principalmente em conversar e interagir com outras pessoas, sem segundas intenções, o que torna tudo extremamente agradável. Não é que esse site funciona muito bem?!

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Os Castellers – Castelos humanos

Uma tradição cultural da Catalunha, os castellers é o nome dado ao grupo de pessoas que realizam construções humanas parecidas com castelos. Em catalão, castells é possível traduzir como “castelheiros”, em inglês são chamados de “human towers”. Em 2010 foram declarados patrimônio da humanidade pela UNESCO. (http://www.unesco.org/culture/ich/index.php?RL=00364)

Acompanhando a programação da Festa Gràcia em Barcelona, pudemos conferir de perto a apresentação de diversos grupos de castellers. O pequeno espaço da Praça de la Villa ficou pequeno para a multidão que aguardava os acrobatas, se é que podemos assim chamá-los.

É um evento para toda família, até porque os castellers tem as mais diferentes idades. É uma reunião de famílias que treinam seus filhos desde pequenos para aprenderem como subir na torre. Eles começam formando a base geralmente com os homens mais fortes, que se reúnem no formato de um círculo grande que serve como escada para quem vai subir e compor os andares do castelo e também de “colchão” para dar segurança durante a desmontagem da torre.

A torre só estará concluída quando uma criança subir até o topo e saudar para a multidão. Antes de começar a formação da torre, eles se preparam, concentrados, amarrando um tecido preto cumprido na cintura dando diversas voltas e apertando bem forte para não soltar, como um cinto bem grosso. Observando a formação do castelo, pude notar que este tecido tem várias utilidades. Uma delas é segurar as roupas de cada casteller, uma vez que seus troncos servem como escadas para alcançar níveis mais altos, e a outra é que como o tecido é grosso, as crianças usam este cinto como um degrau para facilitar sua subida.

Após a formação da base e do primeiro andar da torre, começa uma música para animar a multidão a torcer pela conclusão do castelo. Quando a pequena criança sobe no nível mais alto da torre, a multidão vibra e aplaude, mas os castellers continuam concentrados para que a descida também seja feita de forma segura e bem organizada.

Um dos grupos mais tradicionais e vencedores de vários concursos locais, os Castellers de La Vila de Gràcia, bateu seu recorde fazendo um castelo de 6 andares. Deu um frio na barriga só de presenciar a torre crescendo até não caber nem no enquadramento da máquina fotográfica! Mas tudo ocorreu bem e o castelo foi montado e desmontado com sucesso, e a plateia foi ao delírio e comemorou junto com o grupo. De arrepiar!

Se quiser conhecer mais sobre os Castellers e essa tradição da Catalunha, seguem alguns sites interessantes:

http://www.cvg.cat/

http://www.castellersdebarcelona.cat/international/what-exactly-are-castells-or-human-towers/

http://barcelona.de/en/barcelona-castellers-human-towers.html

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Cuba, os dois lados de uma polêmica história

Em poucos minutos andando pela cidade velha em Havana, parecia que tínhamos voltado à década de 1950. Eram carros antigos para todos os lados e uma arquitetura tão peculiar que mistura o charme europeu com a bagunça de um cortiço. 

Na selva com os Gorilas africanos

Os gorilas das florestas da África central são uma das espécies mais ameaçadas do Planeta. Atualmente cerca de 600  vivem nas florestas dos vulcões de Virunga, na fronteira de Uganda, Congo e Ruanda, e na floresta de Bwindi, no Sul de Uganda.

É possível encontrar dois tipos de gorilas na África. Os gorilas-das-planícies são os que vivem no Parque Kahuzi-Biega, na República Democrática do Congo, e os gorilas-das-montanhas, que ficam Floresta de Bwindi e no Parque Virunga.

Infelizmente, eles estão ameaçados por culpa da ação humana. Segundo artigo da revista Veja em 2012, os caçadores os perseguem implacavelmente, seja para transformá-los em alimento para a população carente que vive nas proximidades, seja para se apossar dos filhotes, cujo preço no mercado negro alcança 40 000 dólares. Além disso, as madeireiras, mineradoras e carvoarias, assim como as estradas necessárias para escoar sua produção, avançam pelo habitat dos gorilas, reduzindo-o. O mesmo ocorre com a ocupação humana.

A boa notícia é que nos últimos anos a população de gorilas aumentou, em consequência do desenvolvimento e aumento do turismo nas áreas protegidas. A aventura na trilha para encontrar os gorilas é cara, custa 500 dólares por pessoa. O dinheiro é usado para preservação da floresta, da espécie e também para projetos sociais com a comunidade local. Tudo é muito bem organizado, mas a trilha é bastante imprevisível.

Viajamos até o sul da Uganda, na Floresta de Bwindi, conhecida como Bwindi Impenetrable National Park,  para fazer a trilha dos gorilas. É preciso ter uma permissão especial do governo para acessar o parque e fazer a trilha. Chegando lá, fomos alertados sobre alguns pontos relevantes. A trilha pode levar de 1 à 9 horas para encontrar os gorilas, uma vez que eles se movem rápido e estão espalhados pela floresta. Não é permitida a entrada de pessoas com algum tipo de doença porque pode contaminar os gorilas. É preciso estar preparado fisicamente, pois são gorilas-da-montanha, isso significa que a trilha é repleta de subidas e descidas íngremes. 

Como não se sabe quanto tempo pode levar a aventura, é aconselhável levar no mínimo 3 litros de água por pessoa e também um lanche e alimentos leves. Além de capa de chuva, repelente e, claro, a máquina fotográfica. Só que para carregar tudo isso em uma trilha que pode ser bastante longa, não seria nada fácil se não fosse uma ideia muito bacana para ajudar a comunidade local. Você pode contratar um carregador para levar sua mochila, por cerca de 15 ou 20 dólares. São moradores da região, que estão habituados a andar na selva e fazem disto sua fonte de renda. Dessa forma, a população da região se vê estimulada a preservar os gorilas, em vez de caçá-los para servirem de refeição. Tudo é organizado pelas autoridades locais.

Ainda, há casos de pessoas que não aguentam a trilha depois de muitas horas de percurso e contratam pessoas para literalmente carregá-las no colo. Já esse “serviço” pode custar cerca de 500 dólares.

A trilha começa às 7h da manhã, quando as pessoas são divididas em grupos de 8 a 10 pessoas. Cada grupo tem um ponto de início e faz um percurso diferente pela selva adentro. Todos os grupos têm o seu guia e mais 2 guardas florestais ou “rangers” (como eles chamam) para garantir a segurança do grupo pela floresta.

Além disso, há rastreadores (ou “trackers”) que vão na frente de cada grupo e que se comunicam por rádio para passarem as coordenadas de qual caminho percorrer na busca aos gorilas.

Nossa guia, Sarah, era uma mulher forte, mas de voz serena; falava baixo, mas passava muita segurança em seu conhecimento sobre os gorilas. Acompanhando ela, mais 2 rangers e os carregadores que nós e outras pessoas do grupo contrataram.

Depois de todo esse briefing com orientações, eu diria um pouco assustadoras, iniciamos nossa jornada pela selva. Logo de cara, uma super subida na montanha. Nessa hora fiquei muito feliz por ter contratado um carregador e por ter um stick (uma espécie de bastão específico para caminhadas e trilhas). Tenho que reconhecer que o Francis, nosso carregador, ajudou bastante com uma forcinha na escalada da montanha.

Quando estávamos na metade da montanha, recebemos a melhor notícia de todas: os gorilas estariam ali no topo da montanha. E não fazia nem 1 hora que estávamos na floresta! Só de ouvir isso meu corpo já estava abastecido de energia suficiente para chegar ao topo.

Quando há indícios que os gorilas estão próximos, é preciso deixar as mochilas, água e demais apetrechos com os carregadores e seguir o caminho carregando apenas a máquina fotográfica. Isso é para não chamar a atenção dos gorilas com comidas e coisas do tipo, pode não ser seguro.

Estava tão preocupada com o tempo que levaria para encontrá-los que nem acreditei que já estaríamos próximos dos animais. Andamos mais alguns metros e lá estava uma família inteira de gorilas em cima das árvores.

Embora alguns filmes e histórias em quadrinhos mostrem os gorilas como monstros ferozes, eles na verdade aceitam pacificamente a presença de humanos entre eles. Claro que há os que estejam mais habituados com a presença de humanos, e aqueles mais selvagens que normalmente ficam mais afastados pela floresta adentro.

O macho estava comendo frutinhas no topo da árvore, a fêmea descansando em um dos galhos, e um gorila bebê passeando de galho em galho. Outros membros da família também estavam em volta. Ficamos mais de 1 hora observando o comportamento deles, até sermos surpreendidos com uma fêmea grávida passando a menos de 5 metros de distância de nosso grupo. Ela parou e ficou sentada entre os arbustos descansando.  Um dos rangers começou a fazer barulhos para se comunicar com o gorila bebê que estava na árvore e a reciprocidade foi incrível. O pequeno gorila batia no seu peito e murmurava com o som característico da espécie. 

Nisso, o gorila macho grande e imponente (o “silver back”) desceu da árvore, como se quisesse nos cumprimentar e dizer “quem manda aqui sou eu!”.  Foi demais admirar esses animais, assim tão de perto.

Depois de 1h30 ali observando, seguimos na trilha de volta ao acampamento central. Tivemos muita sorte em tê-los encontrado tão rapidamente e fomos o primeiro grupo a retornar ao ponto de partida. Aproveitamos para comer nosso lanche e descansar.

Os outros grupos ainda estavam na selva; cada um teve uma experiência diferente, mas no final do dia todos conseguiram encontrar os gorilas e chegaram bem ao acampamento central.

Referências
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/a-dura-luta-para-preservar-os-magnificos-gorilas-na-africa/

 

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Rumo ao Cabo da Boa Esperança

Aproveitamos que estávamos com carro por alguns dias e descemos a costa da Cidade do Cabo rumo ao famoso Cabo da Boa Esperança. É possível contratar tours específicos que levam até o local, mas de carro você tem mais liberdade de aproveitar as atrações ao longo do caminho.

Green School, educação por um mundo melhor

Uma escola sem paredes, mesas redondas, lousas de bamboo, salas de aula ao ar livre, piscina de lama, horta, sistema de compostagem, energia solar, e até um vortex para gerar energia.

Singapura, 50 anos de independência

Quando marcamos nossas passagens para Singapura não sabíamos da grande festa que nos esperava por lá. A princípio, eram apenas quatro dias, mas quando descobrimos que teríamos a oportunidade de estar em Singapura no aniversário de 50 anos de sua independência da Malásia, valeu a pena alterar o voo e estender nossa estadia.

Camboja: marcas do genocídio

Confesso que antes de visitar o Camboja, sabia pouco sobre a história do país, mas depois de conhecer de perto e ouvir as histórias sobre o genocídio que marcou a década de 70, fiquei pensando na população que vive hoje no país e suas condições de vida.

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