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A natureza que assusta e encanta na Nova Zelândia

Em um país com cerca de 5 milhões de habitantes e mais de 40 vulcões e caldeiras, a Nova Zelândia é um dos lugares mais surpreendentes que passamos.  A natureza aqui é a casa do anjo e do diabo, que convivem juntos em um lugar que consegue transmitir paz e tranquilidade, como em uma lagoa azul de águas escaldantes.

Toda essa paisagem única, exótica e exuberante tem uma explicação. A Nova Zelândia está localizada sobre duas placas tectônicas: Pacífico e Australiana. Quinze desses gigantescos blocos de crosta móveis compõem a superfície da Terra. A Ilha Norte e algumas partes da Ilha Sul estão situadas na placa Australiana, enquanto que o restante da Ilha Sul está situado sobre a do Pacífico.

Segundo o site oficial de turismo do país, a Nova Zelândia está situada em uma falha geológica ativa, onde estas duas placas gigantes da superfície terrestre estão em constante estado de colisão. Elas se encontram na Ilha Sul e empurram a borda uma da outra para cima, criando os elevados “Southern Alps” (Alpes do Sul). No centro da Ilha Norte, uma placa está se deslizando lentamente sob a outra, gerando enormes quantidades de calor subterrâneo ativo e atividade vulcânica.

Essa atividade subterrânea assusta, mas, ao mesmo tempo, atrai pessoas de diferentes partes do mundo para conhecer as águas termais relaxantes, além de fornecer eletricidade e aquecimento em algumas cidades.  Na ilha Norte, as cidades de Rotorua e Taupo são os centros das atrações geotérmicas, com abundância de poços de lama, gêiseres e piscinas de águas termais. Pelo cheiro, você já sabe que chegou na cidade.

Rotorua é conhecida como a “Cidade do Enxofre”. Foi povoada inicialmente pelos maoris, que usavam as águas termais para cozinhar e tomar banho, mas logo atraiu residentes europeus. Os famosos benefícios à saúde de seus poços aquecidos concederam à área o nome de "Cureland" (Terra da cura).

O Monte Tarawera é o vulcão que fica na região de Rotorua e ficou conhecido pela sua história trágica. Em 1886, uma erupção destruiu várias vilas maoris e mudou drasticamente a paisagem, soterrando a atração turística mais famosa da Nova Zelândia na época, os chamados “White and Pink Terraces” (Terraços branco e rosa), formados naturalmente pela sílica depositada pela água quente geotermal, semelhante ao que existe hoje em Pamukkale, na Turquia. Hoje, estes terraços foram submersos pelo Lago Rotomahana, que ocupou toda a área afetada pela erupção de 1886.

Atualmente, é possível fazer caminhadas guiadas pelo vulcão, que permitem visitar a vila soterrada de Te Wairoa. Além disso, no Waimangu Volcanic Valley, você pode fazer uma trilha que leva a uma vista incrível do Lago Rotomahana. O vale traz as formações geológicas mais recentes do Planeta, sendo um lugar único, pois o ecossistema de Waimangu foi resultado da erupção do Monte Tarawera, que tem sido alvo de estudos até hoje.

O que antes causou terror, hoje causa encanto.

A Ilha Sul é mais montanhosa do que a Ilha Norte. Existem por lá cerca de 17 picos com mais de 3.000 metros de altura e 140 picos com mais de 2.000 metros. A maior montanha do país é o Monte Cook, com 3.754 metros de altitude, localizado em uma paisagem de cair o queixo a cada estrada que você pega para se deslocar na região.

Além disso, na Ilha Sul, você encontra geleiras espetaculares no chamado “Glacier Country” (País dos Glaciais), fiordes pitorescos, montanhas acidentadas, vastas planícies, floresta subtropical, e quilômetros de litoral com praias maravilhosas.

Os “Southern Alps”, ou Alpes do Sul, têm várias geleiras, sendo a maior delas chamada de “Tasman Glacier”. Para chegar próximo, é possível fazer uma trilha a partir do vilarejo do Monte Cook. As geleiras mais famosas são Franz Josef e Fox, e ficam na costa leste da Ilha Sul.

O triste é acompanhar os efeitos das mudanças climáticas na região. Pelas fotos de alguns anos atrás, comparado ao que se vê hoje, é notório o derretimento do gelo e o recuo da geleira. Até 2008, era possível fazer trilhas para escalar a própria geleira. Hoje em dia, a única forma de andar nas geleiras é por meio de helicóptero. Há trilhas que garantem uma boa vista das geleiras, chegando o mais próximo possível de forma segura, mas, ainda assim, irá vê-las somente a distância.

Apesar de ter uma população pequena, as emissões de gases de efeito estufa no país são bastante consideráveis, muito em função do gado e da agricultura.  Em julho de 2015, o Governo Neozelandês anunciou sua meta para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 30% em relação ao nível de 2005, até o ano de 2030.

Das 5 milhões de pessoas que vivem no país, aproximadamente 3 milhões estão em Auckland e 1,5 milhão no restante da Ilha Norte. Apenas 500.000 pessoas vivem na Ilha Sul e a grande maioria está na cidade de Christchurch.

Desde que a Nova Zelândia se afastou do supercontinente, uma flora e fauna única se desenvolveu, deixando uma terra repleta de plantas e criaturas interessantes. Cerca de 80% da flora no país é nativa. Considerando que menos de 5% da população da Nova Zelândia são humanos e o restante são animais (principalmente ovelhas), é uma natureza quase intocável, que impressiona e fascina.

O país sempre contou com grandes extensões de terra de mata nativa exuberante, que abrigavam uma incrível variedade de aves. O interessante é que, na medida em que evoluíram, as asas se tornaram desnecessárias para algumas aves, pois elas não tinham predadores naturais das quais tinham que fugir. Como resultado, várias aves nativas da Nova Zelândia se tornaram incapazes de voar. Alguns exemplos são:  o papagaio kakapo, o kiwi, o takahe e a maior ave do mundo, a moa (atualmente extinta). O pássaro kiwi é o símbolo nacional e, por isso, os neozelandeses se autodenominam “kiwis”.

Para garantir o controle sobre sua fauna e flora, os critérios da alfandega são super rigorosos. A dica é: não deixe de declarar nenhum tipo de produto que estiver carregando e que conste no formulário da alfandega, ao entrar no país. Caso contrário, ficará sem o produto e pagará multas altíssimas. Nós declaramos desde chocolates e biscoitos, até nosso tênis de caminhadas e máscara de mergulho. Eles apenas checaram os produtos e nos deixaram entrar sem problemas.

Para observar as criaturas do mar, existem 34 reservas marinhas na Nova Zelândia e, também, uma política rígida adotada nessas áreas, sendo que não é permitida a captura de frutos do mar nestas regiões.

Mas tudo isso seria em vão se a população não fizesse a sua parte. Tanto o governo quanto a população se esmeram na conservação do local que vivem, seja do quarteirão que moram, ou se visitantes em outra cidade. É motivo de orgulho para eles, pois a natureza de seu país é única e impressionante. Além disso, cobram a mesma postura de turistas e visitantes, através de seu exemplo.

Em todos os campings que passamos, as pessoas observam o comportamento uns dos outros e de forma muito educada dão pequenos conselhos dos lugares corretos para jogar o lixo, por exemplo. Nas estradas, se um neozelandês vê algum turista fazendo algo errado, ele pode denunciá-lo para polícia por telefone.

Todos os “Kiwis” tem profundo respeito pela natureza. A sociedade da Nova Zelândia nos pareceu muito igualitária, sendo que todos são vistos da mesma forma e respeitados do mesmo jeito, sem distinção de cor da pele, religião, status social, preferências sexuais ou ideologias políticas. Desde que não se discrimine e se respeitem as leis, qualquer visitante é bem-vindo no país, e será muito bem tratado.

Referências:
http://www.newzealand.com.br
http://www.ipartiu.net/2015/01/46-curiosidades-sobre-nova-zelandia.html
https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_volcanoes_in_New_Zealand
http://nzega.com/nz-curiosidades
https://www.climatechange.govt.nz/reducing-our-emissions/our-responsibility.html

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