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Singapura, 50 anos de independência

Quando marcamos nossas passagens para Singapura não sabíamos da grande festa que nos esperava por lá. A princípio, eram apenas quatro dias, mas quando descobrimos que teríamos a oportunidade de estar em Singapura no aniversário de 50 anos de sua independência da Malásia, valeu a pena alterar o voo e estender nossa estadia.

Eventos comemorativos ocorreram durante todo o mês de agosto, mas os principais acontecimentos foram durante o final de semana que antecedia o dia oficial da comemoração. O grande dia da festa foi no domingo, dia 9 de agosto, quando toda a população foi para as ruas comemorar.

A cidade era vermelha e branca, as cores da bandeira do país, e estava em festa.  A parada oficial do governo foi transmitida de vários telões espalhados pela Marina da cidade, seguido de uma grande queima de fogos. Além disso, todos os transportes púbicos eram gratuitos neste dia, dando acesso à todos os pontos de comemoração.

Você deve estar imaginando a confusão que isso virou. Mas, não, mesmo com gente para todos os lados, as pessoas eram muito educadas e tudo ocorreu de forma organizada. Não vimos nenhuma confusão, muito pelo contrário. As pessoas faziam piquenique e não deixavam nenhum lixo; voluntários ajudavam a organizar a circulação de pessoas; e a polícia organizou as filas do metrô para não gerar tumulto.

Era muita gente para todos os lados, mas sem stress. Um povo feliz, orgulhoso de seu país, cantando o hino e usando roupas da cor de sua bandeira. Eram crianças, idosos, famílias, grupos de amigos, todos juntos celebrando esse momento histórico para o país.

A parada aconteceu no Padang, local em que foi comemorado o primeiro ano da independência do país. O legal é que as atrações iam além dos muros do lugar, pois o movimento aéreo era intenso e espetacular. Faziam parte da parada os aviões da aeronáutica, com direito a acrobacias dos aviões caça, passando pertinho dos prédios da cidade e fazendo muita gente perder o fôlego.

E o mais fascinante de toda essa festa é a forma como ela foi organizada. O governo criou um site e abriu espaço para que qualquer pessoa pudesse fazer parte do evento.  Para participar da parada ou dos diversos shows que aconteciam durante todo o final de semana ao redor da Marina, você podia inscrever seu grupo, ONG ou Instituição neste site. Sendo aprovado o projeto, o governo ainda disponibilizava uma verba específica para montar seu número e apresentá-lo na festa.

Mas, se você não soubesse fazer nenhuma apresentação artística, havia espaço para comunidades locais prepararem e venderem comidas caseiras. Foi montado um grande “Food Market”, também com subsídios do governo, e as comunidades vendiam pratos típicos de sua região. Tudo por um precinho camarada, custando no máximo US$ 4,50.

No metrô, do lado das obras de arte, vimos exposições de desenhos infantis espalhados pelas paredes. Um projeto de algumas escolas prestando homenagem ao país, além de estimular as crianças a elaborarem desenhos que fariam parte da exposição.

E olha que todas essas comemorações são super merecidas. Nestas 5 décadas, o país cresceu de forma surpreendente, sua economia disparou, e hoje seu PIB é 40 vezes maior do que era em 1965. A renda per capita também aumentou e hoje é compara aos EUA e Alemanha.

Singapura também ficou conhecida durante esse período pelo seu rigoroso sistema de multas. Aqui, atravessar fora da faixa, comer ou beber no metrô e até mascar chiclete nas ruas, podem render altas multas. Hoje em dia há um pouco mais de flexibilidade, mas nada impede de tomar uma multa se fizer alguma dessas coisas.

É também um país com grande preocupação ambiental. Em 1967, o Primeiro Ministro Lee Kuan Yew plantou uma primeira árvore para simbolizar o lançamento de uma campanha para ampliar todo o verde na cidade e transformar Singapura em uma Cidade Jardim ou “Garden City”.  

E, através da dedicação e comprometimento de toda a população, a paisagem da cidade se transformou complemente nestas últimas décadas. Hoje, Singapura é também chamada de Cidade em um Jardim (“City in a Garden”).

O Programa do Governo chamado de “Garden City”, até o final de 1970, já tinha plantado mais de 55.000 árvores, além de direcionar recursos para criação de parques e áreas verdes de recreação. Os objetivos do Programa, que se mantêm até hoje, são:

  1. Engajar e inspirar comunidades a co-criarem uma Singapura mais verde;
  2. Promover a indústria de horticultura e aprimorar a paisagem;
  3. Enriquecer a biodiversidade em ambiente urbano;
  4. Criar jardins mundialmente conceituados;
  5. Otimizar espaços urbanos e áreas de recreação com mais verde; r
  6. Rejuvenescer parques urbanos e revigorar a aparência das ruas.

Com 152 anos de história, o Jardim Botânico de Singapura sempre foi referência para pesquisas. E, como se não bastasse, o recém-criado “Gardens by the bay” se tornou referência mundial pela diversidade de sua flora, e hoje se destaca como um dos cartões postais da cidade.

Além da parte externa, com as “super árvores” chamadas de “Supertree Grove”, o jardim conta com 2 grandes cúpulas: “Flower Dome” e “Cloud Forest”. Além do lugar ser lindíssimo, tem um design inovador e toda uma preocupação ambiental para adaptar o clima às condições necessárias. 

No “Flower Dome”, a variedade de flores de várias partes do mundo, surpreende.  O “Cloud Forest” tem uma montanha com uma grande cascata e o passeio se faz de cima para baixo. Você pega um elevador para o topo da montanha e vai descendo por plataformas em formato de nuvens. No final da visita, é convidado a assistir um vídeo sobre o aquecimento global e o aumento da temperatura do Planeta nos próximos anos. Diga-se de passagem, um dos vídeos mais realistas que já vi sobre o tema. O objetivo é conscientizar a população sobre os danos causados pelo homem ao meio ambiente e incentivar hábitos mais sustentáveis.

Além do aspecto ambiental, também é preciso reconhecer que para Singapura ser o que é hoje, o país contou com muita força de trabalho de pessoas de diferentes partes do mundo. A comunidade de indianos, chineses e árabes é enorme. Tanto é que todos eles têm bairros típicos na cidade.

Qualquer visita em Singapura não estará completa sem passar por “ChinaTown”, “Little India” e pelo “Arabic Quarter”. É como se visitasse 3 lugares diferentes, porque tudo muda em cada um desses bairros, desde a arquitetura até as pessoas. A maioria cultiva seus hábitos e costumes, mesmo morando em um país que não é o seu. Como os bairros são super característicos de cada local, é uma forma deles se sentirem em casa e também de encontrar suas roupas, comidas e artesanatos, sem ter que viajar para longe.

É por tudo isso que os 50 anos de história são motivo de orgulho para o país e merecem ser comemorados. Espero que outros países possam se inspirar nos bons exemplos que Singapura vem mostrando para o mundo.

 

Referências:

https://www.nparks.gov.sg/about-us/city-in-a-garden
https://www.singapore50.sg/
http://eresources.nlb.gov.sg/history/events/a7fac49f-9c96-4030-8709-ce160c58d15c

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