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Camboja: Dos templos de Angkor aos plânctons de Koh Rong

Quanto mais viajamos, mais difícil é encontrar algo verdadeiramente surpreendente. São tantos os lugares que já passamos e tantas as coisas que vimos, que não tem como nosso padrão não ficar mais elevado. 

Quando chegamos no Camboja, não sabíamos muito bem qual roteiro seguir, mas nossa primeira parada, como a grande maioria das pessoas que vai para lá, foi em Siem Reap. Destino? Angkor Wat.

Mesmo tendo passado por vários templos em diferentes países, os templos do complexo de Angkor são incríveis e, de fato, nos surpreenderam. A palavra “angkor” é derivada do sânscrito e significa Cidade Sagrada. Diferente de outros lugares, para conhecer Angkor você precisa de 2 à 3 dias. E, garanto que a cada dia é possível encontrar algo novo e diferente.

O famoso Templo de Angkor Wat, cartão postal do Camboja, é considerado o maior monumento religioso do mundo. Cada pedacinho do templo é cheio de ricos detalhes, e o trabalho interminável de restauradores pode ser visto em diversas partes. Os desenhos nas paredes são impressionantes, e as histórias que os guias locais contam sobre eles são intermináveis, algumas, até hilárias.

Angkor Wat levou mais de 35 anos para ser construído, contando com o esforço de cerca de 350 mil trabalhadores e mais de 12 mil elefantes. O mais legal dessa história é que 95% dos trabalhadores eram voluntários. Eram pessoas queriam expressar sua gratidão e devoção ao seu Deus. Imagina quanta fé tem neste lugar! Não é à toa que o lugar surpreende tanta gente até hoje.

Agora, na minha opinião, mais exóticas do que os templos, são as árvores. Nunca vi nada igual. Com raízes enormes, elas cresceram passando por cima dos templos de uma forma muito exótica e hoje incorporam a arquitetura do lugar. Parece até que durante a noite elas vão ganhar vida e sair andando. Mas tudo tem uma explicação: os templos do complexo de Angkor foram construídos entre os séculos 12 ao 14, no entanto, após esse período, passaram quatro séculos abandonados no meio da selva, quando as árvores tomaram conta dos templos.

O Templo Ta Prohm ficou famoso após se tornar uma das locações do filme Tomb Raider. As árvores deste templo são impressionantes. Fico pensando como a natureza consegue fazer coisas tão incríveis como esta. Outro lugar que chama a atenção é o chamado Bayon Temple, com suas 37 torres trazendo diferentes faces, cuja sua representação ainda é discutida atualmente. Alguns dizem ser uma mistura do Buddha com o Rei Jayavarman VII.

Além do passeio pelos templos, Siem Reap é uma cidade bastante movimentada e tem uma vida noturna bem agitada. Na famosa “pub street”, os bares e restaurantes ficam cheios todas as noites de turistas de várias partes do mundo.  Enquanto isso, do outro lado da cidade, onde predominam os restaurantes locais, fiquei abismada com o número de prostitutas que vimos nas ruas. Longe do burburinho turístico, elas ficando sentadas em bancos na frente dos bares, como se fossem uma vitrine do lugar.

Toda essa circulação e movimento de turistas, além de atrair investimentos de marcas internacionais no país, fizeram com que o dólar norte americano fosse adotado como a principal moeda circulante no país. Quando chegamos, trocamos um pouco de dinheiro para ter a moeda local (riel) e foi a pior coisa que fizemos. Porque simplesmente você paga tudo em dólar norte americano.

Até nos supermercados os preços estão marcados em dólar. Claro que é possível utilizar o riel, mas eles colocam uma cotação alta frente ao valor das casas de câmbio, fazendo com que pagar diretamente em dólar seja mais vantajoso. Os preços são relativamente baixos, mas comparados a outros locais do sudeste asiático, não é tão barato assim. É muito estranho ver um país com uma moeda forte circulante que não é a sua.

Depois de Siem Reap, buscávamos algo diferente, em que pudéssemos manter nosso padrão de lugares surpreendentes. Eram várias as opções: vilarejos menos turísticos, campos de arroz, passeios de barco pelo rio, trilhas na natureza, lagoas, entre outras. Mas decidimos descer para o extremo Sul do país e ir para praia.

Na verdade, uma ilha chamada Koh Rong. Um lugar ainda não muito explorado, que conta com acomodações simples, mas que vem se tornando cada vez mais popular. Algumas partes da ilha são bastante remotas e têm difícil acesso. Soubemos que a série americana “American Survivor” estava sendo gravada lá alguns dias antes de chegarmos na ilha.

Para chegar na ilha é preciso pegar um ferry na cidade de Sihanoukville, de aproximadamente uma hora. Depois, dependendo da praia escolhida, é necessário um barco taxi, porque as estradas na ilha ainda são muito rústicas e não recomendadas. Há opções de hotéis em duas ilhas vizinhas: Koh Rong e Koh Rong Samloem. Nós fomos em Koh Rong e optamos por ficar em uma praia super afastada, chamada Coconut beach, onde só tinha um hotel.

Deve estar pensando, mas porque um lugar tão distante e afastado de tudo? Bom, além de praias desertas, paisagens incríveis, tivemos uma experiência única e inesquecível: nadar no mar a noite em meio aos plânctons fluorescentes. A praia era linda e aconchegante pois tinha apenas 500 metros de extensão, mas era após o pôr do sol que o lugar se tornava espetacular. 

Quando a escuridão tomou conta do céu e o dono da pousada apagou todas as luzes do lugar, estava na hora de entrar no mar repleto de plânctons. Foi uma das coisas mais fantásticas que já vi na minha vida, tudo ao meu redor brilhava. Quanto mais a gente se mexia, mais o brilho aumentava. Minhas pernas e meus braços brilhavam. Era como se o céu estrelado estivesse dentro do mar com você nadando sobre ele. Pena que nenhuma foto conseguiu captar o que vimos, pois foi indescritível. Aquelas coisas que só ficam guardadas na memória.

A parte não tão boa é que a ilha tem muitos mosquitos. Não dá para esquecer o repelente. Embora os hotéis, em geral, sejam simples: sem água quente, sem internet, energia só durante a noite; vale a pena a experiência de ficar numa ilha como essa. Até porque, infelizmente, não dá para saber até quando ela continuará sendo esse paraíso. Outra opção, para quem tem dinheiro, é ficar em uma pequena ilha particular lá perto, com resort exclusivo, cuja a diária chega a custar US$3.000.

Uma coisa é fato, seja nos templos de Angkor ou na ilha de Koh Rong, atendemos nosso objetivo e encontramos no Camboja lugares únicos, que valeram a pena cada dia da nossa passagem pelo país.

Referências:

http://vontadedeviajar.com/a-magnitude-de-angkor-wat/
http://wikitravel.org/en/Angkor_Archaeological_Park
http://www.canbypublications.com/angkor-cambodia/bayon.htm

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